sexta-feira, 15 de maio de 2015

Carência

É uma vontade tão pequena, tão ínfima. Chega ser ridículo, mas de braços que abraçam apertado e nariz que me cheira como quem cheira a fruta favorita, a boca que fica muda quando o olhar diz tudo, ah disso eu não tenho, tá em falta e falta eu sinto. Mas vem cá, corpo qualquer não quero. É vazio, é tolo. Quero corpo que reflete uma alma cheia e é cheia de amor. Essa vontade não é grande, não faz estrago, mas tá sendo sentida aqui enquanto jogada no sofá permaneço. Então penso: vontade tenho a tanto tempo e nem é tempo disso, quando chegar a hora posso suspirar aliviada de desejo?

domingo, 22 de setembro de 2013

Alma

Minha alma tá inquieta. Agitada, amargurada, minha alma não para. Não tem música que acalma, nem palavra que a console, minha alma tá quebrada. Tá foda.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Urgência

Lá fora chove. Como lágrimas de Deus. Só se vê água caindo do céu, e eu podia sentir. Quase que um gosto amargo no céu na boca. Um embrulho no estômago. Era um sentimento palpável. Eu iria morrer. Agora as lágrimas eram minhas. Era só aquele pressentimento maldito. Como se tudo fosse acabar, ou acabou e eu não percebi. Perdi os sentidos por uns instantes, como se o chão tivesse desaparecido.
  - Você está se sentindo bem, senhorita? - O atendente da cafeteira veio ao meu encontro, me segurando como se eu fosse uma boneca frágil. Frágil demais pra se suportar. O olhei assustada. Havia uma certa preocupação em seus olhos quase que vã. De repente, só o que me restava era sorrir. Eu sorri e agradeci a preocupação. Me ajeitei, paguei o que devia ser pago, até um gorjeta deixei. Sorri insegura novamente para o homem que se preocupou em vão. Enfrentei a fúria dos ventos, a dor da chuva, enfrentei pessoas apressadas correndo contra a chuva enquanto eu queria abraçar aquele caos. Pessoas fugindo da chuva enquanto eu fugia para ela.Aquilo era patético, eu não iria morrer, eu só precisava respirar novamente. Só precisava de algo que parasse meu coração, mesmo que fosse pela última vez. Mesmo que por alguns instantes, queria de fato, viver. É isso. Simples como a chuva que caia. Mesmo que inconsciente, eu já sabia aonde iria parar. Sabia exatamente o que fazer. O meu viver morava até que perto dali. Agora o choro já era um sorriso disfarçado, agora meus passos lentos já se tornara uma corrida rápida. Estava encharcada até os ossos, com a respiração falha, toda trêmula. Poderia facilmente dizer que não estava adequada para o que ia fazer, mas e daí. Aquela porta vermelha já me revirara o estômago mas já estava rindo boba.
Apartamento 330. Apertei o botão ainda trêmula mas não mais de frio. Com a chuva ainda forte mal se ouvia meus pensamentos mas eu ouvi. Sua voz rouca, a sua voz saindo daquele interfone velho perguntando quem era.
- Só desce aqui, vai. - Falei urgente com a boca grudada no interfone, torcendo pra que reconhecesse minha voz.
- Lucy? É você? - Agora havia um tom de curiosidade, pressa, qualquer coisa na sua voz que me fez sorrir novamente.
- Desce, anda, não dá pra subir, eu tenho pressa, só.. só vem. - Ouvi ele desligando o interfone. Os segundos pareciam eternos, ou mais do que isso. Bufando e até xingando, espremida no pequeno hall da porta vermelha, lá estava eu, tentando achar algo que me tirasse da rotina, pra variar. A porta se abriu e eu mal conseguia respirar. Ao vê-lo com a cara amassada de domingo a tarde, com um moletom qualquer e aquela camiseta que  sempre o achei lindo nela. - Eu não sei o que deu em mim, mas tô aqui. Me deu uma puta saudade sua, e de repente eu sabia que o vazio que eu sentia, você poderia facilmente o preenche-lo. Esquece o passado, esquece tudo, só se concentra no agora e me diz que pode quebrar esse galho pra mim, me diz que pode simplesmente me tirar o folego antes que eu tenh..- Antes de terminar qualquer frase, ele me puxou pra si, colando nossas bocas, afinal, era isso que eu queria. Não era? Era. Era seus braços fortes, sua boca firme, seu coração colado ao meu. Talvez eu precisasse de mais, mas por enquanto era o bastante.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Besteira Qualquer



Não é tristeza, é medo. Tô com medo de ficar velha. De parar de dançar no meio da cozinha, de nunca mais devorar livros e livros madrugada adentro. Medo de ficar rabugenta pra sempre e desaprender a sorrir. Medo de me afundar na melancolia e dormir e nunca mais acordar. Medo de virar gente grande. Porque gente grande começa trabalhando pra viver e termina vivendo pra trabalhar. Eu me sinto velha. Rabugenta, pra variar.
Sabe o que é andar descalço no chão gelado? Se enrolar em cobertas e sonhar. Se enrolar e divagar. Sabe o que é sentir prazer em estar só? Estar só e ter prazer da própria companhia. Ouvir uma música e cantá-la aos quatros ventos. Isso se perde com o tempo? Desgasta-se como tudo nessa vida? Não é tristeza, é só preocupação de morrer e perceber que não vivi.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Um Dia Qualquer.

Hoje é um daqueles dias. Que começa mal e termina pior. Termina com um choro engasgado, entalado. Termina com um coração querendo estar quebrado. Minha alma se encheu de tristeza. Tristeza alheia, tristeza que é só minha. E ouvir essa música, justo essa música, me dá uma dorzinha. Dói ter um amorzinho mal resolvido. Dói ter verdades jogadas na cara. Verdades alheias, verdades não ditas. Verdades tão suas. A verdade dói. Seja como for. Seja do que jeito que tá.
Sabe o que é pior? O pior é que teu abraço, o teu afago cairia bem. Porque seria a gota d'água. Aí eu choraria sem dó, sem nó, choraria pracabá. Hoje é um daqueles dias que não te tenho. Hoje é um péssimo dia.

domingo, 1 de abril de 2012

Um Sonho, Uma Confissão.

Eu não esperava, mas sonhei contigo. Me contavam que você tava de olho em mim. Você aparecia sorrindo, aquele sorriso seu. Mas eu ficava brava contigo. Eu mordia suas costas. Nossas bocas se encostavam e eu acordei. Agora eu espero te ver amanhã. Porque eu estou de olho em você. Vou aparecer sorrindo pra você sorrir de volta, aquele sorriso meu. Vou ficar brava por qualquer bobeira. Vou te dar um soco. Nossos olhos se encontram e eu vou embora.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A Menina Dança

Te tenho na mão, então você voa. Te agarro pelos braços, e você corre. Fico de mãos abanando e você sorri. Sorrio de volta, então se vai. Tem gente que se dobra e se desdobra. Eu me desdobro por você. Não viu? Nem notou. Me espeta, vai, e me chama pra dançar. Aquela música engraçadinha que você cantou no meu ouvido, todo desafinado, no meio do nada, no meio da rua, eu queria rebolar. Te fazer sorrir só pra ganhar meu dia. Me fazer de tola só pra te ouvir dizer tolices. Tá entendendo? Não tá. Você se foi e tô sozinha, no meio da rua, sem música, sem dança, sem você.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Paradise

Se afunde. Se envolva, se acabe. Acabe com a sua garganta, rasgue seu coração, quebre suas limitações, e veja que há mais. Há muito mais, pra se ver e se sonhar e que a vida é mais do que amigos, mais do que um amor, a vida é mais do que esperamos. É a coisa mais surpreendente que existe, de todas as formas possíveis, das melhores e até as piores. Principalmente piores. Mas a coisa toda só tem graça quando se é vivida com paixão, com intensidade, com um toque de drama. Viver é um drama. Mas não do tipo que se fica parado enquanto tudo passa, tudo se esvai e você não tem ao menos coragem de se arriscar. Se arrisque, e aprenda, que no jogo da vida, ganhar, nem sempre tem tanta graça e que perder é um alívio. Perca sua vida por algo. Por algo maior.
Estou cansada da minha vida. Frustrada, se quer saber. Frustrada em todos os sentidos, frustrada de mim mesma, e minha mesquinhez, meu egoísmo, tudo sabe? Resolvi então me afundar de vez.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Espera.

É um suspiro doído, uma falta de ar agoniante. Tô te esperando tem anos, sabia? E nada de você. Nada deu te conhecer. Mas eu sinto. Vai demorar mais alguns anos. Eu sei que vai. Eu ainda não to pronta pra você. Ainda falta moldar muita coisa nesse caos em que eu me encontro. Sou mal acabada. E você?  Você está se preparando pra mim. Dia após dia. Suas orações serão atendidas, meu bem. Eu sou sua garota, só saiba esperar. Espere por mim. Porque eu estou aqui, ansiosa, esperando por você.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Um Texto Velho de Um Sentimento Esquecido


Amo sua falta de seriedade. Seu ar de homem menino, teu jeito todo errado. A contradição da minha vida, sabia? Meu erro um dia te querer. O erro mais delicioso, não nego. Tuas muralhas de as vezes indiferença, de babaquice faz parte do pacote? Deve fazer, contando que eu tenha o pacote inteiro e exclusivo. É egoísmo pedir isso? É só tua essência. Quero aprender a te conhecer, te compreender.
Logo você. Logo tu que me chateia. Me dá uma raiva. Vai entender. Mas prometi a mim mesma dar uma migalha de chance. Só porque eu estou sorrindo como uma babaca. Não tem nada a ver com você, com seu corpo que me atrai como quase ninguém faz, com seus olhos tão desafiadores que me pegam desprevenida de vez em quando, ou com suas mãos, tão grandes e acolhedoras. Não, tem tudo a ver comigo e com a vontadezinha de quem sabe, ser feliz.

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