quinta-feira, 3 de maio de 2012

Besteira Qualquer



Não é tristeza, é medo. Tô com medo de ficar velha. De parar de dançar no meio da cozinha, de nunca mais devorar livros e livros madrugada adentro. Medo de ficar rabugenta pra sempre e desaprender a sorrir. Medo de me afundar na melancolia e dormir e nunca mais acordar. Medo de virar gente grande. Porque gente grande começa trabalhando pra viver e termina vivendo pra trabalhar. Eu me sinto velha. Rabugenta, pra variar.
Sabe o que é andar descalço no chão gelado? Se enrolar em cobertas e sonhar. Se enrolar e divagar. Sabe o que é sentir prazer em estar só? Estar só e ter prazer da própria companhia. Ouvir uma música e cantá-la aos quatros ventos. Isso se perde com o tempo? Desgasta-se como tudo nessa vida? Não é tristeza, é só preocupação de morrer e perceber que não vivi.

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