quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Bobagem.

Que diabos de frio. Meu vestido fino, meus pés descalços, meu descaso. Continuava frio e eu não me importava. Chegava ser belo. Toda a tragédia da virgem suicida num parapeito de um prédio de 14 andares. Era até que um acontecimento importante. Coloquei o meu melhor vestido. Coloquei meu colar favorito, a maquiagem mais bonita. O fim no final das contas é belo. O fato da minha vida ser tão miserável ao ponto deu não temer a dor, a morte. É belo.
Coragem ou covardia? Sei lá, é tudo. Tudo mesmo, são tantas emoções que mal posso esperar pra colocar fim em todas elas. Cada emoção, cada sentimentos, cuidadosamente enterrados juntos com o meu corpo. Será que é tão anormal assim desejar o indesejável?
Tive uma puta vontade de chorar. Minha mãe não merecia a filha que tinha. Merecia? Amigos que nunca entenderiam qual é a minha. Sou triste, é isso. Sou eu. O problema sempre esteve em mim. O problema é eu.
Olho pra baixo. Superior a qualquer um. Superior a mim mesma. Seria eu capaz? Seria eu..." Não faz isso." Pelo susto quase pulei. Olhei pra trás com o coração na boca. Quem diabos era esse? Era o meu momento. Ele tava estragando tudo. "Você tem todo o direito a vida." Eu não quero a vida, vocês não entendem? Era um senhor com seus lá 60 anos. Como ele fora parar nesse prédio? Pelas suas vestimentas parecia ser o zelador. "Sou um desperdício de tempo" " Não, não é." Ele chegou um pouco mais perto quase que instintamente "Chega pra trás." Ele chegou contrariado. Que vento. Meus cabelos se rebelavam dançando de acordo com a ventania. Que diabos de frio. O homem havia um olhar tão bom quanto de uma mãe. Estranho isso não é? Mas era. Por um instante queria sair de lá e o abraça-lo. Bobagem a minha. Me voltei para a frente. "Pensa na tua família, minha filha, na vida toda que você tem pela frente." "Bobagem a sua. Sou um monstro qualquer. Ninguém quer um monstro pra cuidar, vai ser melhor assim" Sorri sabendo que ele nunca entenderia. Nem eu entendo, não se preocupe. "Moça, pensa bem." "Já pensei. Se cuida, seu moço." "NÃO!" Seus passos envelhecidos não foram rápidos o suficiente. Seu desespero. Fácil como respirar me deixar levar. Simples como andar, eu pulei. Pulei sorrindo contra tudo, contra todos, contra mim. Pulei logo pro fim. Belo fim.

domingo, 18 de setembro de 2011

Te Odeio Por Tanto Te Amar


Sou feliz só, até te ver passar. Até te olhar. Até de ti gostar. Fico toda insatisfeita, faço bico, faço criancice, faço tudo, mas não faço o que é certo pra te ter. O que é certo pra você? Te conheço mas de nada sei sobre você. Estranho não é? Estranho é eu amar o mistério que te envolve. Ouço uma canção e meu coração se aperta, contrai. Fico pensando no teu silêncio, enquanto me importo com suas palavras que na maioria do tempo me machuca. Sabia? Você me machuca sorrindo. Tenho que sorrir também?
É sábado à noite e eu ando só. Não mais feliz. Agora sim insatisfeita até comigo mesma por estar passando por tudo isso de novo. O bom de tudo isso é que fico poeta. Fico lamentavelmente uma boa escritora. Sem você ao menos desconfiar. Quer dizer, do que você desconfia? Do que você sabe? Fico só querendo saber, quem é você no final das contas, e porque tanto insisto em ti. Você nem é tudo isso, é? Né nada. Eu que dou valor de luxo o que pode às vezes ser lixo.

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