quarta-feira, 14 de julho de 2010

Hi Hitler

O terror já havia se instalado antes mesmo do amanhecer, havia fogo, destruição e acredite, um cheiro inconfundível de Morte. Corpos mutilados e espalhados e aos montes.Os gritos, o desespero palpável, se foram com o vento. Ficou pra trás apenas escombros do que um dia fora uma cidade.
Max tinha todo o rosto molhado por lágrimas que finalmente ele se permitia deixar cair. Queria ser como seu pai. Que nunca chorava, ou demonstrava fraqueza. Mas em toda regra tem sua exceção, e lá estava o pequeno garoto de apenas 8 anos idade chorando, fazendo jus a sua idade. Era como se apenas ele ainda respirasse naquele lugar. Queria poder dormir. Por longos dias, em sua cama e acordar com o cheiro do café amargo de sua mãe. Mas agora, ele tinha uma inconfudível certeza que não haveria mais cheiro de café e nem sua cama quente muito menos a voz doce da sua mãe o chamando pra se despertar. Com o corpo todo encolhido e vulnerável ficou ali, até o amanhecer. Seu estômago agora doía, mas por onde ele olhava, nada restava. Cansado, sonolento e faminto, Max adormeceu ali, em sua posição desconfortável  tentando esquecer suas últimas horas naquele lugar horrível. Teve pesadelos. Os gritos da sua mãe, o fogo em todo lado. E bombas. Em todas as direções. Acordou mais esgotado do que nunca e suando como se tivesse corrido uma maratona, esfregou seus pequenos olhos e experimentou levantar. Seus músculos estavam atrofiados, consequência de tantas horas na mesma posição. Se esticou ao mesmo tempo que ouvia novamente reclamações do seu estômago inquieto, mas o ignorando começou andar em meio ao caos. Tinha a esperança de encontrar, alguém. Qualquer um que fosse. Queria tirar o pensamento de que só restara ele pra contar a maldição dos puros de raça. Pensar neles instigava um grande revolta em seu coração. Matava ele por dentro pensar, que tantos foram mortos porque alguém disse que eles não eram dignos a vida. Seja lá quem fosse estava enganado. Max podia ter apenas 8 anos mas era mais maduro que muitas crianças além da sua idade. Passos pesados se aproximaram do pequeno garoto, fazendo ele pular com os coração frenetico e acelerado. Olhou pra cima e encontrou um homem bem mais velho, podia muito bem ter a idade do seu pai, mas o desconhecido não tinha um olhar convidativo e amável. Havia arrogância em sua expressão e poder na forma como segurava sua grande arma. Não gostou dele. Queria sair correndo mas algo mais forte que ele o impedira, a mais pura e concentração de pavor se instalava em seu corpo. Olhou sem desviar para o soldado em sua frente.
- Onde estão seus pais?! - O soldado o olhava com um misto de nojo e incomodo ao perceber a estrela de seis pontas suja estampada no braço direito do garoto. O menino se limitou em apontar para trás. - Estão mortos? Responda Jüdisch imundo. - Seu rosto queimou onde havia levado um tapa. Queria chorar e gritar de puro ódio, mas resistiu seus impulsos. 
- Sim. 
-  Tem pra onde ir? 
- Não.
- Então me acompanhe. - O soldado virou e foi em frente mas não ouviu os passos do menino em seu alcance. Deu meia volta e o encontrou parado olhando com uma fúria notável. 
- Não vou a lugar nenhum com você. - O homem já se irritara o suficiente  com o pequeno Max. Queria matar aquele filhote de verme. 
- Corra. - O menino não sabia, porque mas desta vez não ousou desobedecer. Correu por alguns segundos até duas coisas muito rápidas acontecerem. Um barulho horroroso e em suas costas uma queimação horrível que o fez desequilibrar e ficar de joelhos. As últimas lágrimas desceram sem pressa pelo rosto sujo de Max e logo a seguir, outro barulho horroroso e seu corpo caiu sem vida no chão. 



4 bolhas estouradas:

isabella M. disse...

Filhos da puta.

Letícia L. disse...

Filhos da puta.²

Quando eu li A Menina Que Roubava Livros, eu não conseguia parar de chorar. Eram soluços enormes e meu rosto ficou vermelho de tanto chorar, porque... não quero lembrar disso agora, e as lágrimas rolam pelo meu rosto de novo.

Hitler que era um verme, sangue sujo.

Junior Gros disse...

Como todo bom texto que descreve uma cena dramática, esse seu nos põe na pele de quem a vive.
Parabéns, pelo ótimo texto e pelo blog.

skitnevsky disse...

nossa.

Não pense você, ou quem quer que seja que Hitler saiste disso impune... de jeito algum. Mas que odio!
Você me promoveu varias sensações distintas com esse texto, esta cada vez melhor, seu talento é nato, amiga. Sério!

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