sexta-feira, 23 de julho de 2010

Lucy in the sky with diamonds



Lucy entrou no pub ligeiramente ofegante pela pequena corrida entre seu carro e seu familiar destino. Caía uma chuva bem intensa para o verão de Londres. As bruscas mudanças climáticas sempre a assustava. Um pouco cansada pela semana que terminava, Lucy sentou se em um banco e sorriu para seu barman favorito: 

- Hoje é sexta John, então já sabe meu pedido - O garoto retribuiu o sorriso e colocou na frente da garota um drink que era especialidade da casa . Sem pressa a bebida foi levemente bebericava enquanto Lucy examinava melhor o bar. Percebeu pela primeira vez o improvisado palco e alguns homens ajustado, o que ela deduziu ser o som. Como não notara isso antes?! - O que terá hoje a noite aqui?! - Virou-se pra ver John, mas ele estava longe o suficiente pra não ouvir o que ela perguntara. Esperou ele chegar mais perto e repetiu a pergunta.
- Um showzinho pra variar, O cheff resolveu inovar. - John se limitou em dar de ombros. Novamente ele se foi para atender outros clientes. Lucy voltou a olhar pro pequeno palco imaginando os estilos que provavelmente iriam tocar, e se era boa música, e rapidamente seus questionamentos foram respondidos. 

Primeiro, um rapaz com seus - aproximadamente -  vinte e três anos, se apresentou como Jim, agradeceu a presença de todos e falou o nome esquisito da sua banda e que Lucy não fez a questão de guardar na memória. Estava ocupada demais pensando em como Jim tinha cabelos aparentemente tão macios e bagunçados. Se imaginou com os dedos o bagunçando ainda mais. Havia também o fato de que aquela barba, em vez de o deixar com cara de vagabundo, apenas fazia um belo contraste com sua pele branca como a de Lucy. Ele era não só lindo mas tinha uma voz rouca e baixa que acalmava qualquer ouvinte. Depois de alguns minutos em transe Lucy voltou em sua sanidade e prestou atenção na música em si. Gostou do que ouviu, o bom e velho rock britânico, algo que desde criança - quando seu avô colocava lp's num dia ensolarado que sempre combinava com sorvetes derretido - ela estava acostumada ouvir. Melodias que fizeram seu coração se encher de nostalgia e felicidade. Todo o seu corpo balançava de acordo com o ritmo empolgante  e sem dúvida envolvente. Lucy sentia seus pés formigarem e seu coração pulando pra ir mais perto e dançar totalmente desinibida. Não pensando duas vezes, Lucy se misturou entre os corpos que dançavam freneticamente. O tempo passou como um louco e mais rápido que percebesse Lucy pedia bis junto com a platéia que se formou ali.

- Por serem uma platéia maravilhosa vocês merecem mais uma - Alguns gritos de entusiasmo e então, Jim pegou um banquinho e trocou sua guitarra por um violão, olhou novamente para a platéia e sorriu satisfeito, seu olhar cruzou com os de Lucy, veio uma piscadela travessa. Com o rosto quente e o coração descompassado Lucy sorriu. As primeiras notas soaram familiar aos ouvidos dela. Aquela era uma das suas músicas favoritas desde que se entendia por gente. Um sorriso brotou em seus lábios e cantou baixinho acompanhando.
As últimas notas foram tocadas e agora Jim só tinha olhos pra garota em sua frente. E Lucy mal se importava se parecia uma babaca o olhando daquela forma. Muito bem aplaudidos a banda se retirou forçando Lucy voltar pro seu lugar. Pediu apenas uma cerveja pro John que agora não fazia nada. 

- Você realmente gostou do showzinho né?! - John a observando notando seus cabelos desgrenhados e a sua pele suada. Ela sorriu um pouco boba e se serviu da sua bebida. Olhou novamente em sua volta mas não encontrou quem queria, então resolveu dar uma passada rápida no banheiro, estava um caco ela sabia então resolveu checar. Maquiagem ligeiramente borrada pelo suor, cabelo desgrenhados e a roupa amassada. Amarrou o cabelo, arrumou a cara ficando visivelmente melhor e deixou o resto de lado. Saiu do pequeno recinto abafado se sentindo um pouco melhor. Olhou pra onde estava sentada por reflexo, mas não esperava ver o que viu. Era como se seu estômago tivesse despencado. Se repreendeu por isso. Parecia uma garota boba de treze anos com os hormônios a flor da pele.  Ligeiramente mais calma passou a mão pela franja solta e caminhou firme em direção ao garoto que estava de costas pra ela, que certamente a esperava.


              To be continued.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Hi Hitler

O terror já havia se instalado antes mesmo do amanhecer, havia fogo, destruição e acredite, um cheiro inconfundível de Morte. Corpos mutilados e espalhados e aos montes.Os gritos, o desespero palpável, se foram com o vento. Ficou pra trás apenas escombros do que um dia fora uma cidade.
Max tinha todo o rosto molhado por lágrimas que finalmente ele se permitia deixar cair. Queria ser como seu pai. Que nunca chorava, ou demonstrava fraqueza. Mas em toda regra tem sua exceção, e lá estava o pequeno garoto de apenas 8 anos idade chorando, fazendo jus a sua idade. Era como se apenas ele ainda respirasse naquele lugar. Queria poder dormir. Por longos dias, em sua cama e acordar com o cheiro do café amargo de sua mãe. Mas agora, ele tinha uma inconfudível certeza que não haveria mais cheiro de café e nem sua cama quente muito menos a voz doce da sua mãe o chamando pra se despertar. Com o corpo todo encolhido e vulnerável ficou ali, até o amanhecer. Seu estômago agora doía, mas por onde ele olhava, nada restava. Cansado, sonolento e faminto, Max adormeceu ali, em sua posição desconfortável  tentando esquecer suas últimas horas naquele lugar horrível. Teve pesadelos. Os gritos da sua mãe, o fogo em todo lado. E bombas. Em todas as direções. Acordou mais esgotado do que nunca e suando como se tivesse corrido uma maratona, esfregou seus pequenos olhos e experimentou levantar. Seus músculos estavam atrofiados, consequência de tantas horas na mesma posição. Se esticou ao mesmo tempo que ouvia novamente reclamações do seu estômago inquieto, mas o ignorando começou andar em meio ao caos. Tinha a esperança de encontrar, alguém. Qualquer um que fosse. Queria tirar o pensamento de que só restara ele pra contar a maldição dos puros de raça. Pensar neles instigava um grande revolta em seu coração. Matava ele por dentro pensar, que tantos foram mortos porque alguém disse que eles não eram dignos a vida. Seja lá quem fosse estava enganado. Max podia ter apenas 8 anos mas era mais maduro que muitas crianças além da sua idade. Passos pesados se aproximaram do pequeno garoto, fazendo ele pular com os coração frenetico e acelerado. Olhou pra cima e encontrou um homem bem mais velho, podia muito bem ter a idade do seu pai, mas o desconhecido não tinha um olhar convidativo e amável. Havia arrogância em sua expressão e poder na forma como segurava sua grande arma. Não gostou dele. Queria sair correndo mas algo mais forte que ele o impedira, a mais pura e concentração de pavor se instalava em seu corpo. Olhou sem desviar para o soldado em sua frente.
- Onde estão seus pais?! - O soldado o olhava com um misto de nojo e incomodo ao perceber a estrela de seis pontas suja estampada no braço direito do garoto. O menino se limitou em apontar para trás. - Estão mortos? Responda Jüdisch imundo. - Seu rosto queimou onde havia levado um tapa. Queria chorar e gritar de puro ódio, mas resistiu seus impulsos. 
- Sim. 
-  Tem pra onde ir? 
- Não.
- Então me acompanhe. - O soldado virou e foi em frente mas não ouviu os passos do menino em seu alcance. Deu meia volta e o encontrou parado olhando com uma fúria notável. 
- Não vou a lugar nenhum com você. - O homem já se irritara o suficiente  com o pequeno Max. Queria matar aquele filhote de verme. 
- Corra. - O menino não sabia, porque mas desta vez não ousou desobedecer. Correu por alguns segundos até duas coisas muito rápidas acontecerem. Um barulho horroroso e em suas costas uma queimação horrível que o fez desequilibrar e ficar de joelhos. As últimas lágrimas desceram sem pressa pelo rosto sujo de Max e logo a seguir, outro barulho horroroso e seu corpo caiu sem vida no chão. 



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