segunda-feira, 29 de março de 2010

where is my husband?


Os tons pasteis desse quarto nunca foram tão opacos como neste momento. Por um instante me perdi em meio à tanta falta de vida. Minha cabeça latejava e os xingamentos aleatórios vinham sem eu ao menos notar. Por um instante desejei que seus braços me envolvessem da forma que só você sabe. Tirando daquele lugar todo silêncio agourento mesmo que você não proferisse uma palavra sequer. Naquele momento não desejava seus beijos ou suas carícias. Queria apenas a sua presença que me reconfortava de uma maneira singular e que finalmente eu pudesse calmamente cair em um sono sem sonhos. Talvez isso não faça sentido para  ninguém mais a não ser você e eu.
Mas não faz muita diferença agora já que você estar longe o suficiente para não sentir minha necessidade  muda de afeto. Sei que é tarde mas não suficiente pro cansaço me vencer, ignoro um livro na cabeceira e pego meu modo de escape colocando em qualquer música possivelmente melosa que enche os meus ouvidos e entorpece meu cérebro densamente. 
Talvez eu tenha adormecido em meio à espera, mas você estava lá. Cauteloso talvez para não me acordar, mas mesmo assim ainda estava lá. Zonza pelo sono e com a voz embolada te chamei e você veio. É, você veio. 

terça-feira, 16 de março de 2010

Algum significado maior


Havia uma cidade. Ela não parava, não dormia, não esperava. Era linda pra se visitar, cansativa para se morar. Havia pessoas, tão distintas e solitárias quanto qualquer um daquela enorme cidade. Mas é claro, havia suas felizes exceções, pessoas que se contentavam com o que aparentemente tinha e sempre arranjavam motivos as vezes até mesmo inexistente para encontrar aquela famosa sensação tão raras em lugares como aquele. Isso pode soar bem mais dramático do que realmente é, na realidade milhares de pessoas vivem em seu mundo melancólico, totalmente cômodas em suas mentes deturpadas, pessoas ao nosso lado e mal percebemos. Então não se assuste com a realidade dessa cidade. Mas não é sobre isso que irei lhes contar. E sim sobre duas pessoas excepcionalmente felizes nessa cidade. E isso vale a pena ser escrito.
A diferença deles pro resto daquelas pessoas monótonas que habitavam a cidade era a fé. A fé de que existia além de sorrisos maquiados e sentimentos volúveis. Eles acreditavam verdadeiramente no amor. 
 Ou talvez seja pela maneira de não existir mascaras. Dos momentos além de serem único são perfeitamente simples, a magia de um primeiro e único amor,  que transpirava a juventude. Nenhum dos dois beiravam a perfeição. Pelo contrário, se permitiam errar e não justificavam. Grandes revolucionários sem causa. Uma bagunça sem mistério algum.
Pessoas assim tem a minha eterna admiração porque se destacam, com um jeito desconcertante e uma felicidade... bom, uma felicidade que você não encontra em qualquer lugar. Muito menos numa cidade como aquela. 

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